Mostrando postagens com marcador infanto-juvenil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador infanto-juvenil. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O livro espantado. Priscila Lopes

Na vida, escolhemos caminhos que nos surgem pela frente e costumamos seguir adiante, quase que instintivamente, sem muita reflexão, pois, como dizem, o tempo está sempre nos comendo pela perna. Encontramos muita gente nos anos de trajetória. E, em meus 50 anos, recém completados, então, um montão de gente. Cada qual com seu grau de importância. E é claro que algumas pessoas se sobressaem das demais e entram, quase todas sem querer, para um rol de destaque na nossa humilde história. Priscila é uma delas.

Há alguns anos, encontrei Priscila Lopes por acaso, num site de novos escritores. Foram caminhos que se cruzaram, eram pretensões similares, mas comportamentos distintos. Imprescindível detalhe. Eu desisti de escrever, pois minha avassaladora autocrítica sagrou-se vencedora. Não lamentem. E ainda não sei se para o bem (dos leitores) ou para o mal (meu, particular). Priscila, ao contrário, perseverante por natureza (acredito, pois deu provas disso), seguiu em frente, cabeça erguida, decidida. O resultado está diante de meus olhos. Um livro surpreendente. E já é o seu segundo livro.

Costumo lembrar de uma frase que vi num diálogo de um filme, visto há vários anos, cujo nome não me vem: “somos sempre maiores do que pensamos ser e nossas ações geram mais consequências do que imaginamos.” É isso. Perfeito. Priscila se enquadra perfeitamente na máxima. Li seu livro com deleite e com certo orgulho de ter acompanhado sua trajetória, de longe, mas sempre com interesse no seu sucesso. Reconheci seu talento. Há alguns anos, chegamos a trocar emails, cujo teor não podia ser outra coisa: livros e literatura. Tive, em determinado momento, o prazer de receber uma confissão de Priscila, que talvez ela nem mais se lembre, entretanto vale recordar. Confidenciou-me à época: “Vou te contar um segredinho”, disse, segura em compartilhar: “Eu a-do-ro escritores gaúchos!” Aquilo soou como música aos meus ouvidos, ainda mais vindo de uma catarinense. Primeiro, porque eu também adoro ler escritores gaúchos; e, segundo, porque eles são meus conterrâneos. Anos depois, soube que um de seus contos fora publicado na Revista Cult e também fiquei muito feliz por mais um sucesso.

Em “O livro espantado” (122 páginas, editora Patuá, 2014), Priscila presenteia o leitor com 24 contos curtos, em narrativas curiosas, fluidas e digestivas, cujos temas vagueiam entre a infância e a pré-adolescência. Narrados, predominantemente, em primeira pessoa, a atmosfera dos contos nos passa a impressão de um livro de memórias, com o tradicional clima intimista e confessional. Embora já tenha lido que as narrativas em primeira pessoa sejam pouco confiáveis, e que deixam o leitor inseguro, posto que a história nos é transmitida sob o ponto de vista de apenas um dos personagens, ao mesmo tempo nos passam a ideia de veracidade, como se tudo, realmente, tenha acontecido. E Priscila conseguiu, pois, na maioria das narrativas de personagens femininos, tem-se a impressão de que a história se passou com a própria autora.

Embora na contracapa se mencione um “mergulho no universo da infância”, percebi, na quase totalidade dos contos, uma predominante maturidade na visão infantil das coisas pelos protagonistas, como memória revivida. Assim como assisti a uma entrevista de um garoto de 11 anos, capaz de uma aula de maturidade, muito provavelmente por ser uma criança que lê; acredito que revermos nossa infância em memórias longínquas depois de adulto, não só nos enriquece, como nos deixa mais conscientes do contínuo e necessário processo de autoconhecimento. Além disso, a narrativa de personagem feminino também nos possibilita, como leitores masculinos, a inusitada e interessante experiência extracorpórea.

Alguns contos se sobressaíram, no meu gosto pessoal, e os destaco. Em “Nunca amar” (p.7), o conto que abre o livro, a personagem com seus planos para o primeiro amor. “... à noite ficava até tarde na internet escolhendo as músicas; músicas para tocar quando se conhecerem, músicas para quando já tiverem dito ‘te amo’, músicas para o casamento... casamento!”, e foi impossível não fazer minha associação a uma canção popular dos anos 70, cujos versos pedem que o amor não chegue na hora marcada, e, ao final, imperativamente, “quando te encontrar, me reconheça”. 

Me encantou a passagem, em “A maçã do amor” (p.31): “... Calou-se. Para sempre. E eu também emudeci pálido como açúcar; apavorado como um pintinho que, na verdade, nem sabe do que tem medo, apenas vive de se apavorar, até virar galinha e perceber que não havia mistério então; era só botar ovos.”.

No conto “O livro espantado” (p.43), conto que dá título ao livro, uma relação muito pessoal com o livro e a paixão pela leitura: “... Foi em pé, abraçada ao pacote, deslizando os dedos sobre ele, sentindo seu peso; não podia ser o mesmo livro. Talvez fosse semelhante, com os vinte contos mais populares do século, ou de poesias, ou de micronarrativas. Ou quem sabe fosse um livro que o destino encomendara para ela...” E foi como mágica ler o conto e rever a minha própria relação com os livros. Adquiri, na infância ainda, uma relação quase esquizofrênica com o livro. O livro físico, seu cheiro, sua textura, a magia das imagens das capas, orelhas de degustação, e aquelas quase infinitas letrinhas enfileiradas a me hipnotizarem, sempre numa relação tempestuosa com a minha impossibilidade financeira de adquiri-los. Em décadas de psicoterapia, acho que eu só piorei. Embora eu, ultimamente, os tenha evitado, volta e meia tenho recaídas e, confesso, leio, leio muito. Houve um tempo em que gostaria de ter o poder especial de absorver o conteúdo de um livro com um simples toque de dedo, como alguns personagens de filmes de ficção científica; ou, melhor, poder esticar o tempo e ficar, dias e dias, lendo sem parar.

Em “Antes de mim” (p.97), reflexões como verdadeira poesia em prosa: “... ela às vezes falta em dias de chuva. Sua palidez pertence às quintas de chuva; de certo fica em casa cultuando-a, de certo sua mãe ou seu pai entendam que chover é suficiente. Pra que mais, me pergunto enquanto cruzo caras e bocas sorridentes, pra que mais?”. E, ainda no mesmo conto, algo fantástico e quase inimaginável: “... ela me ensinou Mario Quintana. Eu gostava de falar da coisa sem dizer o nome da coisa, só assim, coisa. E depois do Quintana eu me senti menos singular. Pelo menos até saber que ele havia morrido. Depois pensei que talvez eu fosse sua reencarnação, porque eu também escrevia ideias. E coisas.” (p.99).

E, não fossem todas as demais passagens, só esta última já justificaria a leitura do livro, em “A menina roubada” (p.121): “Então eu era um grito. Uma imaginação. Compraram-me como um intangível. Eu estava no aplauso, estalando. Eu estava no silêncio de taças inquebráveis. Como um porcelanato eu me atirei contra meus princípios – num precipício estou caindo há vinte anos.” Uma prova do talento e da escrita incomum de Priscila Lopes. 

Outro dia li, numa das suas postagens, em sua página do Facebook, na qual Priscila contestava uma declaração equivocada de um leitor que dizia não haver escritores de talento na Literatura Brasileira contemporânea após Guimarães Rosa. Bons escritores existem e publicam. Falta, talvez, mais divulgação de seus trabalhos e, claro, interesse dos leitores em procurar algo novo e de qualidade. Best Sellers nunca foram garantia de qualidade. Mas me sinto na liberdade de dizer que Priscila Lopes está ao lado de muitos outros novos talentos da literatura brasileira contemporânea. Entre os quais, gosto de lembrar dos que já li: Paulo Scott, Luisa Geisler, Marcelino Freire, Ronaldo Bressane, Daniel Pelizzari, Clarissa Corrêa, e outros, muitos outros.

Priscila Lopes

Para saber mais sobre Priscila, acesse:




domingo, 31 de janeiro de 2010

Você é um homem mau, Sr. Gum! Andy Stanton


Sei. Posso até estar “viajando”, mas acho que há algo meio que “misterioso” envolvendo a relação “leitor e livro”. Sabe aquela coisa que parece que o livro está gritando? “Ei, ei! Estou aqui. Leve-me, por favor!”. Tudo bem, tudo bem. Menos! Menos! Mas de uma coisa estou convencido: o livro deve e precisa chamar a atenção do leitor. Nem todos os leitores são como eu, que leio até livro em papel jornal, livros feios e velhos, cheirando a mofo de sebo. Os livros precisam ser bem encadernados, com várias cores e todos os recursos disponíveis para despertar o desejo da leitura, principalmente dos jovens, pois os livros para esta faixa etária estão competindo (desleal e injustamente) com a Internet, os “video-games”, a televisão (Argh!).


Abro exceção aqui para falar de um livro de autor estrangeiro. Refiro-me ao livro “Você é um homem mau, Sr. Gum!”, do britânico Andy Stanton. Um livro caracterizado como Literatura Infanto-juvenil. Primeiramente, quero falar de algo muito importante: o acabamento do livro. Nota onze. Editado no Brasil pela Editora Record, no selo “Galera Record”. Com uma capa em relevo e uma bela ilustração de David Trazzyman, o livro não passa despercebido pelo visitante de livraria mais desatento. E foi assim que aconteceu comigo, pois periodicamente faço visitas a livrarias e gosto desse contato direto com o livro. Não consegui evitar e tomei o livro nas mãos e passei a folheá-lo. Não pude deixá-lo parado na prateleira e terminei por comprá-lo, numa espécie de “auto-presente” de Natal (ainda bem, pois foi o único presente que ganhei!).


O conteúdo é bom e merece a qualidade da produção. Em “Você é um homem mau, Sr. Gum!”, Andy Stanton traz ao público brasileiro um pouco do humor britânico (às vezes meio bobo demais e sem graça, admito, mas aqui não é o caso), cheio de aventura com passagens completamente “non-sense”, mas que torna a leitura divertida e prazerosa. Os tipos são grandes e o texto é distribuído de forma reduzida pelas páginas, acompanhado sempre pelas belas ilustrações de Trazzyman, o que faz com que a leitura renda e, quando se vê, foram-se as 180 páginas. Parece um livro longo para infanto-juvenil, mas não. Quando terminei a leitura, fiquei com aquele gostinho de “quero-mais”. Traz a história de um homem ranzinza, mal humorado, porcalhão, e que “é um horror completo, odeia crianças, animais, diversão e milho verde”, mas que é capaz de “manter seu jardim tão arrumado, tão jeitoso, que era o mais bonito, o mais verde, o mais florido jardim de toda Lamonic Biibber” (p.14). A “trama” é simples, mas não é ingênua, abordando, de forma discreta e divertida, um pouco de “moral-da-história”, “non-sense”, “infantilidades”, com fortes doses de humor. Acho que dificilmente o leitor ficará insensível ao concluir a leitura.


Os personagens merecem um destaque especial. Além do Sr. Gum, há muitos outros, como Jake, o cão; uma garotinha chamada Polly, que tem um nome quilométrico; uma menininha chamada Pedro (?); Martin Lavanderia; Jonathan Baleia, “o homem mais gordo da cidade”; e Sexta-Feira O’Leary, “um bom amigo, fantástico mesmo, e que conhecia os mistérios do tempo e do espaço, e coisas deste tipo”.


“Sexta-Feira O’Leary gritava A VERDADE É UM MERENGUE DE LIMÃO!, no final das suas frases. Seja como for, um pouco antes naquele dia, Sexta-Feira estava sentado na sala da frente, tocando piano. Tocava uma canção que ele mesmo tinha composto chamada “Tocava uma canção que ele mesmo tinha composto”, sobre como tocava uma canção que ele mesmo tinha composto. (Ele também tinha composto uma canção chamada “Mas ele não estava tocando aquela no momento”, mas ele não estava tocando aquela no momento.)” (p.96/97);


“Subitamente, tudo ficou muito tranqüilo, como a parte triste de uma história. Nem os pássaros cantavam naquela hora infeliz, nenhuma brisa soprava. Pela primeira vez, até mesmo a fada raivosa estava em silêncio. O único barulho era o da respiração de Jake, para dentro e para fora, cada vez mais fraca.” (p.148).


O livro “Você é um homem mau, Sr. Gum!”, de Andy Stanton foi publicado no Brasil em 2008, pela Editora Record, Rio de Janeiro.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O gato que não sabia de nada. Marcos Fernando Kirst


O livro de estréia de Marcos Fernando Kirst, na ficção, é um livro infanto-juvenil. E aqui abro um parêntesis necessário e importante. Recentemente, lendo uma entrevista com o escritor Nelson de Oliveira, ele dissera que começou a ler muito tarde. Admitira que, se não me engano, foi por volta dos seus 15 ou 16 anos e que, desde então, não parou mais. Quando li a sua declaração, logo me identifiquei, pois eu também comecei a ler por volta da mesma idade, e, a meu ver, aos 16 anos realmente é tarde, muito tarde. Por outro lado, já o escritor Marcelo Mirisola disse que começou a ler aos 25. Claro que nunca é tarde demais para se começar a ler, mas, quando se começa a ler livros muito tarde, um período muito importante na vida de uma pessoa adulta sadia, normal (entenda aquela que tem a leitura como um hábito tão comum como escovar os dentes, ou por que não?, se alimentar) é completamente perdido. Recuperável, mas não como seria se acontecesse na época adequada. Refiro-me à leitura de livros infantis, lidos quando se ainda é criança; ou ler um livro infanto-juvenil na tenra adolescência. A leitura de um livro infantil ou infanto-juvenil por um adulto é diferente. Dependendo do adulto, pode até ser uma leitura mais rica, mas isso é raro e não é o que acontece na maioria das vezes. A visão do adulto “padrão” sofre influências imperceptíveis e costuma ser curta, limitada, podada, fruto de anos de educação castradora pelos inúmeros “pré-conceitos” e “falsas-verdades”, que herdamos e que a sociedade moderna nos impõe. Uma criança acostumada com leitura desde cedo tira muito mais proveito do que lê, pois o livro é apenas uma pequena janela que se abre a exibir um mundo rico, desconhecido, e sem limites para aquele vulcão em erupção, de imaginação e criatividade, que é a mente infantil.

E assim, antes de falar propriamente do livro “O gato que não sabia de nada", quero dizer que meu filho leu o livro antes de mim. Claro que não poderei entrar na impressão que teve do livro, mas acredito que ele tenha tirado muito mais proveito da leitura. O escritor gaúcho Marcos Fernando Kirst nos apresenta uma história “infanto-juvenil” diferente, e por vários aspectos, mas principalmente por dois, os quais destaco. Primeiro, porque a narrativa é feita em primeira pessoa, oops!, digo, em primeira... voz, e uma voz felina. Quem nos conta a história é o gato Bioy, o protagonista. E assim, nós leitores, nos deparamos com o mundo dos “humanos” visto sob a ótica de quem só tem poucos centímetros de altura. E tudo então parecer ser grande demais, como os “bichos-humanos” “bem grandões”; os “monstros-carros” ou “carros-monstros”; “veterinário grandalhão” e sua “mãozona”. Depois, na linguagem que o gato Bioy utiliza para nos contar sua história, como foi adotado e como batizou seus donos de “Sr. Miau” e “Sra. Miaau, com dois ‘as’”; que mora na cidade Miaaau, na rua Miau-Miau, número Miu. Nossa! Algum adulto deve achar difícil entender uma linguagem “felina”, então faça um teste: dê o livro “O gato que não sabia de nada” para uma criança e depois pergunte a ela se ela acha difícil ou complicado. Com certeza dirá, como Bioy : “é bem fácil, e espero todos vocês de patinhas abertas.”

Humm! Parece muito infantil, alguém poderá dizer, talvez monótono demais. Então, o que acham desta divertida passagem: “Eu é que não iria engolir aquilo de jeito nenhum, pois, se era para os tais de vermes, os vermes que engolissem aquilo, eu é que não, pois posso ser gato, macaquinho,vira-lata ou até jornalista, mas verme não sou e, portanto, não engoliria remédio para vermes! Foi tudo isso que eu disse para eles entre meus dentes enquanto eles me forçavam a engolir a pílula, que acabou assustadoramente caindo pela minha goela abaixo, apesar de meus protestos. Urgh! Pfuaf!!! Eca!!!!!” (p. 23).

Ou, então, esta brilhante comparação: “Humanos são assim mesmo, não entendem nada do que a gente diz para eles, mas acham que nós, os bichos, temos a obrigação de fazer aquilo que eles nos dizem. É por isso que nós, gatos, meio revoltados que somos, gostamos mais de fazer aquilo que nos dá na telha, e não somos tão obedientes quanto os tais dos cachorros.” (p. 25).

O próprio protagonista se descreve como sendo: “eu transformado em Bioy, o gatinho-menino, que tem crises de identidade.” (p.25); e mais adiante, numa magnífica passagem, se auto-descobre: “...eu, quando estou ali dentro da sacola, penso que sou um livro. Então é isto: não sei se sou gato, se sou macaquinho, se sou jornalista, se sou verme ou se sou livro. Eu sou um gato que não sabe de nada!” (p. 28).

Mas, então, como confiar na narrativa de quem “não sabe de nada”? E aí é que está um dos pontos positivos da “narrativa em primeira pessoa”, que, embora não seja confiável, lemos e temos a visão de apenas um ponto de vista, que pode ser mentira, verdade, equívoco. Mas, em “Um gato que não sabia de nada”, com certeza, o leitor, seja criança, adolescente ou adulto, além do prazer da leitura, poderá tirar muito proveito para o nosso dia a dia. Ainda mais se for alguém que goste de animais de estimação, seja cão ou gato. Como esta passagem das páginas 28 e 29: “E tem vezes que eles ficam simplesmente encantados quando eu, estando no meio dos dois no sofá da sala, fixo meu olhar naquele aparelho barulhento e cheio de imagens coloridas que mudam o tempo todo, que eles parecem adorar. ‘Veja, amor, o Bioy assiste televisão’, eles comentam... Nada a ver! Fico, na verdade, é meio pasmado por alguns segundos, tentando entender onde está a graça que eles encontram naquilo, mas logo me canso e prefiro voltar aos carinhos deles e fechar meus olhos para sonhar coisas e mundos fantásticos que só a imaginação dos gatos é capaz de criar.”

Bom, meu objetivo aqui, ao falar de “O gato que não sabia de nada”, de Marcos Fernando Kirst, não é o de analisar, mas apenas divulgar um bom livro, e uma ótima dica de leitura. Se não for para um pai de família, que seja para os filhos, melhor seria para ambos, pois é divertimento garantido. Confesso que gosto de ler os livros infantis dos meus filhos. Foi assim com “As frangas” do Caio Fernando Abreu, “Memórias de menina” de Raquel de Queiroz, e outros que me fogem agora . Ler um livro infantil é uma das poucas oportunidades que o adulto tem de, mesmo que por breves momentos, viajar no tempo e voltar a ser criança, nem que seja só na nossa cabeça.

O autor, Marcos Fernando Kirst, nasceu na cidade gaúcha de Ijuí, em 1966. Atualmente mora em Caxias do Sul, RS, atuando como jornalista e escritor. O livro “O gato que não sabia de nada” tem ilustrações da artista plástica Dani Magnabosco. O livro foi publicado em 2008, pela editora Belas-Letras, Caxias do Sul, RS. Marcos também é autor do romance "Dois passos antes da esquina", de 2009.