Esses temas transmitem toda a insatisfação, o inconformismo e a ansiedade da juventude, de um jeito tão vivo, com palavras tão exatas, que sempre atingem e impressionam. A atualidade das histórias e dos conflitos surpreende. Como acontece com a própria juventude, os contos aqui apresentados nos passam um clima de revolta não-explicada, o sentimento de personagens que desejam o mundo mas ainda não conseguiram sair do quarto. O difícil instante da adolescência.
Neste livro encontra-se o rigor formal característico deste autor - artesão da palavra -, além de entrar em contato com os personagens preferidos de Osman: crianças, velhos, pobres, doentes, mulheres flagradas em ações cotidianas, todos inseridos num ambiente doméstico opressor. Nos contos de Os Gestos, o silêncio representa a impotência das personagens.
Em resumo, são contos extremamente líricos que abordam detalhes da interioridade humana. Detalhes que em geral escapam da percepção comum, mas que foram captadas pela sensibilidade deste autor. A obra Os Gestos segue uma linha de tom realista, com cenas vazadas por fortes doses de lirismo que em alguns momentos tende ao expressionismo. Doentes, crianças, um discurso feito em face de um morto, o triste reencontro de dois amigos de infância: são cenas fechadas, que se passam na intimidade dos personagens e registram a impossibilidade do amor e questões ditadas pela morte. A melancolia e o pessimismo são marcas desses contos. Nessa obra vemos alguns recursos de que Lins vai se valer depois, como experiências com discurso indireto livre e com as combinações possíveis de um enredo.
