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Considerado um dos mais originais escritores da atualidade, Calvino escreveu uma vasta obra, composta de mais de vinte livros publicados, entre contos e romances. Seu nome passou a ser conhecido com a publicação da trilogia “Os nossos antepassados”, formada por três romances: “O visconde partido ao meio”, “O barão rompante” e “O cavaleiro inexistente”. Tendo começado com uma postura realista, o autor evoluiu para uma concepção mais livre, freqüentemente tocada por aspectos fantásticos. Arquiteto exigente da matéria verbal, sua realidade mais imediata, o escritor criou um estilo muito pessoal, e infundiu à língua italiana novas cores e possibilidades. O recurso ao absurdo serve-lhe para sublinhar a perspectiva crítica com que aborda o mundo e o homem. Pode-se dizer que, nele, o absurdo — das situações e das personagens — dá-se num plano aparente, conformando uma estratégia que penetra nos desdobramentos últimos da realidade.
Filho de pais italianos, Calvino nasceu em Santiago de las Vegas (Cuba), a 15 de outubro de 1923. Logo após seu nascimento, a família voltou para a Itália, passando a morar na Ligúria. Adquiriu, desde muito jovem, uma clara consciência dos problemas sociais e políticos de seu tempo, e, quando sobreveio a Segunda Guerra Mundial, não hesitou em aderir à luta contra o nazi-fascismo, aliando-se a outros partígiani, nas montanhas da Ligúria. Integrou as colunas das barricadas Felice Cascione, enfrentando soldados alemães e as tropas de Mussolini. Essa experiência como combatente inspirou seu primeiro romance, “il sentiero dei nidi di ragno” (1947). Seguiu-se uma série de contos e romances que marcou o seu envolvimento com as dificuldades sociais da Itália contemporânea e, principalmente, com a sua região, a Ligúria.
Em conseqüência de seu engajamento, Calvino chegou a colaborar com o diário comunista ‘L’Unitá”, fundando com Elio Vittorini, nesse mesmo período, uma revista de vanguarda, “Ii Menabó”, que produziu, no fim da década de 50, uma seqüência de importantes debates sobre o papel dos intelectuais frente à crise das ideologias e sobre o problema específico da profissão de escritor. Apesar de uma trajetória marcada pela mudança, Italo Calvino jamais renunciou aos valores humanistas, mantendo sempre sua coerência e generosidade ética. (p.245/246)
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Italo Calvino (1923-1985) |
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