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terça-feira, 6 de julho de 2010

O menino do dedo verde. Maurice Druon


Alguns livros marcam a vida da gente, principalmente para quem começou a ler muito cedo. A história de “O menino do dedo verde” me foi contada oralmente por uma professora, quando eu cursava o 2º ou 3º ano do ensino fundamental, não lembro precisamente. E foi tão bem contada que nunca mais eu a esqueci. Décadas mais tarde, eu comprei o livro e dei de presente aos meus filhos. Na verdade, eu queria que todos lessem o livro, mas apenas um deles leu e adorou. Até que um dia, não resisti e li finalmente o livro, inteirinho, sem parar. Durante toda a minha vida eu falei e ouvi de muitas pessoas a expressão, utilizada para quem plantava algo e tinha sucesso imediato: “essa pessoa tem o dedo verde”. A expressão hoje virou lugar-comum. Lamentavelmente, muitos falam a expressão sem saber qual sua origem e quem a criou. Vai, então, a seguir uma das melhores resenhas que li sobre este clássico universal da literatura infantil.

“O menino do dedo verde – Maurice Druon. Tradução D. Marcos Barbosa. 82ª edição, José Olympio, 2008. (por Rosana de Almeida)

Noutro dia, o professor Ryad Simon, um querido mestre, me comparou com O menino do dedo verde e eu, que vergonha, não conhecia Tistu. Fui então atrás do clássico de Maurice Druon, seu único livro destinado às crianças que data de 1957 e que a José Olympio relançou em 2008, marcando um acontecimento mais que literário, mas poético do ano.

Na orelha, há palavras de Nogueira Moutinho, da Folha de S. Paulo, onde, em 1973, escreveu – “Cremos estar presenciando o retorno do Pequeno Príncipe: como nas fábulas antigas, se disfarça como Tistu, para só revelar sua verdadeira identidade aos que como ele possuem o polegar verde”.

Eu gostaria de replicar estas palavras com outras do autor em seu papel de narrador, na página 47:

As pessoas grandes têm a mania de querer, a qualquer preço explicar o inexplicável. Ficam irritadas com tudo que as surpreende. E logo que acontece no mundo algo novo, obstinam-se em querer provar que essa coisa nova se parece com outra que já conheciam há muito tempo.

Tistu é um menino criativo e sua história nos conta os acontecimentos que sucederam desde o seu nascimento à descoberta de seu potencial criativo. O menino descobre este potencial após um momento depressivo real. Não conseguia se motivar pelo estilo convencional de educação e dormia nas aulas.

 Este comportamento diferente causou uma comoção nas idéias pré-fabricadas dos pais. Como os adultos nem sempre sabem que as idéias pré-fabricadas são mal fabricadas, é necessário um texto disfarçado em livro destinado a crianças para ensinar isto a eles.

Bem, voltando à depressão que se instalou no mundo (interno) de Tistu, representado pelos seus pais. Druon fala em preocupação e na sua sabedoria em descrever sentimentos numa linguagem familiar aos pequenos e ao nosso lado infantil diz:


A preocupação é uma idéia triste que nos comprime a cabeça ao despertar e permanece ali o dia todo. A preocupação dos pais/ depressão de Tistu se chamava: Não é como todo mundo! Tistu não é como todo mundo!

Momento difícil este, mas precursor indispensável da descoberta de seu potencial criativo.

Um sábio ensinamento da história é que a criatividade, o potencial criativo, tenha a forma que tiver, é a principal ajuda que dispomos nos momentos de sofrimento e crise. Tistu experimenta um incômodo sentimento de impotência diante do sofrimento alheio fosse ele por exílio ou solidão, doença ou morte.

Nas lições que a história nos propõe, Tistu descobre e nos ajuda a pensar que, algumas vezes, até podemos interferir, mas em relação à morte somos definitivamente impotentes.

São muitos os ensinamentos que a história de Tistu nos proporciona e é natural que cada leitor dirija uma maior atenção a alguns e menor a outros. Um trecho que prendeu muito o meu interesse diz assim:

Uma idéia que se instala em uma cabeça em breve se torna uma resolução. E uma resolução só nos deixa em paz quando a pomos em prática.

Tistu queria pôr em prática seu plano de alegrar e embelezar a cadeia de Mirapólvora. Sentia-se só no conhecimento de seu talento e no desejo de pô-lo em prática interferindo num sistema há muito estabelecido. Decide então sair só, no meio da noite. E a história continua:

Lá fora a lua estava cheia. Tinha as bochechas repletas de vento.
 A lua gosta das pessoas que passeiam de noite. Logo que viu Tistu (…) aproveitou uma nuvem que passava perto para uma polidela em seu rosto de prata.

 “Se eu não tomar conta deste garoto” pensou ela, “vai acabar caindo num buraco”.

 Achei este trecho uma pérola. Todo mundo deveria saber que quando uma idéia se instala em uma cabeça e em seu desenvolvimento torna-se uma resolução, as forças da natureza colocam-se a favor de sua realização. Eu estou chamando de forças da natureza as forças do funcionamento mental, do determinismo psíquico.

No final da história, o autor reserva uma surpresa ao leitor que eu não vou revelar ao dizer que, ao final Tistu desaparece. Não desanimem de ler porque Tistu tem que desaparecer, pois só assim a história pode continuar dentro do leitor. Muitas vezes a mente sente como um fim definitivo e externo o início de um acontecimento novo e interno. Tistu desaparece para reaparecer dentro de nosso mundo interior, fertilizando este mundo.

Iniciei este misto de resenha, crônica e ensaio com as palavras de um mestre a um aprendiz. Gostaria de encerrá-lo com as de outro:


 Em seguida (Bigode), tomou bruscamente nas suas mãos calejadas a mãozinha de Tistu.

 ― Deixe ver o polegar!

 Examinou atentamente o dedo do menino, em cima e embaixo, na sombra e na luz.

― Meu filho – disse enfim, após madura reflexão – ocorre com você uma coisa extraordinária, surpreendente! Você tem o polegar verde…

― Verde! – exclamou Tistu muito espantado. ― Acho que é cor-de-rosa, e até que está bem sujo! Verde coisa alguma!

Olhou seu polegar, muito normal.

― É claro, é claro que você não pode ver – replicou Bigode. ― O polegar verde é invisível. A coisa se passa por dentro da pele: é o que se chama um talento oculto. Só um especialista é que descobre. Ora eu sou um especialista. Garanto que você tem polegar verde.

E a história continua…” (Por Rosana de Almeida)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

MY MOON, OUR MOON. Anahita Taymourian (Clique nas figuras para ampliá-las)


“This simple but eloquent story from Iran takes place on a beautiful starry night. As a group of children sit under the moon’s silvery light, they talk about what they would do if they could take down the moon and make it their own.
One child wants to use it to light his room. Another wants to use it as a sail. Everyone has a different idea, but in the end there’s one thing they can all agree on....”
Eis o que consta numa das orelhas do livro. Nesta versão, em inglês para principiantes, “My moon, our moon”, da escritora iraniana Anahita Taymourian, o livro traz uma linda história, cuja mensagem ensina e desperta a curiosidade de jovens e crianças. Um livro de história infantil exemplar, muito colorido e com ótimos trabalhos de arte da própria autora, que, além de ensinar um idioma estrangeiro para quem dá os primeiros passos, também traz uma linda mensagem: o que faríamos se fôssemos donos da lua e pudéssemos fazer com ela o que quiséssemos. A imaginação dos personagens dá asas e surgem várias hipóteses, divertidas, mas todas, infantilmente, muito “egoístas”, até que a sapiência e o bom senso prevaleçam.
Quanto à produção do livro, no mínimo, é muito bom e saudável, para os leitores brasileiros e para o mercado editorial brasileiro, a entrada de uma editora de peso, capaz de lançar livros com alto padrão, capa dura, papel nobre e sobrecapa de excelente acabamento, a um preço surpreendente: R$15,00 – foi o que paguei. Estou falando da “Shinseken Brasil Editora Ltda” (endereço no final da resenha) que colocou à disposição do público brasileiro uma grande variedade de livros, principalmente livros infantis, em português, inglês, espanhol, alemão, francês.
Sobre a autora (foto no final), sem tradução, o que consta na orelha final do livro:
“Anahita Taymourian born in 1972. Graduated with M.S. in architecture and painting. University lecturer at Free University of Iran. Runner-up in the 13th Noma Concours in 2002, a very important contest for illustrators of Children’s books from Asia, Africa and Latin America.”
“My moon, our moon”, de Anahita Taymourian, é de 2003, 14 páginas, impresso no Japão, pela Shinseken Limited.
“Shinseken Brasil Editora Ltda
R. S. Joaquim, 443 - Liberdade CEP: 01508-001 - São Paulo – SP
Tel: (11) 3277 10 09”
 

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Memórias de Menina. Rachel de Queiroz


Em "Memórias de Menina", a renomada escritora cearense traz para a literatura infantil a realidade das crianças nordestinas. Não a triste e sofrida, e já bastante conhecida, realidade do sertão, mas uma infância que muitas crianças do agreste e do interior de Fortaleza, como ela, tiveram igualmente cheia de fantasia e curiosidades.


A obra apresenta temas como: festas de São João, mais tradicionais ainda no nordeste do Brasil; um palhaço chamado Capote, que ensinou truques mágicos para crianças; um retrato da educação tradicional e conservadora no início do século, com decoração de tabuada e palmatória; um contraste entre as famílias modernas e aquela vivida por muitos na infância da escritora; as estações do ano no Nordeste Brasileiro, com época das chuvas e da seca, tão diferente do Sudeste e Sul. E mais, muito mais, temas envolvendo brinquedos, Natal, poesia e brincadeiras antigas.


Rachel de Queiroz não joga palavras fora e, em "Memórias de Menina", apresenta um livro destinado ao público infantil, não para entreter simplesmente, mas para educar, trazendo para os lares modernos dos grandes centros urbanos, um Brasil que também existiu e ainda se mantém vivo em muitos locais, como se estacionassem no tempo.


"Memórias de Menina" foi editado com ilustrações da desenhista Mariana Massarani. Publicado em 2002, pela Editora José Olympio.


Resenha publicada no extinto site www.leailivro.sp.gov.br